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Guia prático

O que são deepfakes?

Deepfakes são vídeos, imagens ou áudios gerados por inteligência artificial que imitam pessoas reais a dizer ou fazer coisas que nunca disseram ou fizeram. Deixaram de ser uma curiosidade técnica: em Portugal já são usados em burlas de investimento, chantagem, fraude contra empresas e desinformação. Este guia explica o que são e como lidar com eles.

Por Atualizado em 3 min de leitura

Como se fazem e porque são tão convincentes

Um modelo de IA aprende o rosto, a voz e os gestos de uma pessoa a partir de fotografias, vídeos e áudio públicos. Depois gera conteúdo novo: a pessoa a dizer um texto escolhido pelo atacante, a aparecer num contexto que nunca existiu, ou a sua voz numa chamada. Com material suficiente, o resultado engana a maioria das pessoas, sobretudo em vídeos curtos, com pouca luz ou em ecrãs pequenos.

Como são usados em burlas

  • Investimento: figuras públicas a recomendar plataformas de criptomoedas em anúncios.
  • Voz clonada: um familiar em apuros a pedir dinheiro por chamada ou mensagem de voz.
  • Fraude a empresas: o 'diretor financeiro' numa videochamada a autorizar uma transferência urgente.
  • Chantagem: imagens íntimas falsas da vítima usadas para extorquir dinheiro (sextorsão).
  • Romance scam: perfis falsos com vídeos gerados para manter a ilusão de uma relação.
  • Desinformação: políticos ou jornalistas a dizer coisas que nunca disseram.

Sinais de que um vídeo ou áudio pode ser falso

Defeitos na boca e nos dentes, piscar de olhos estranho, contornos do rosto a tremer, iluminação inconsistente, voz sem respiração ou com ritmo monótono. Mas estes sinais desaparecem a cada nova geração de modelos. Mais fiável é o contexto: de onde veio o vídeo, quem ganha com ele, se a pessoa confirma pelos canais oficiais, se o pedido envolve dinheiro ou segredo.

Como se proteger

Trate qualquer vídeo, áudio ou chamada que peça dinheiro, dados ou uma decisão urgente como suspeito, por muito real que pareça. Confirme por outro canal. Nas empresas, exija que transferências urgentes sejam validadas por um segundo canal e por uma segunda pessoa, independentemente de quem 'aparece' na videochamada. Reduza o material público de voz e rosto, sobretudo de crianças. E se for vítima de chantagem com imagens falsas, não pague: guarde provas e faça queixa.

Exemplos reais

Frases que merecem cuidado

Variantes de mensagens reportadas por utilizadores. O texto muda; o pedido é sempre o mesmo.

Anúncio com apresentador de televisão a explicar como 'todos os portugueses podem ganhar 5 000 € por mês'.

Videochamada do 'CEO' a pedir uma transferência urgente para fechar um negócio confidencial.

Mensagem: 'temos um vídeo íntimo teu, paga 500 € em bitcoin ou enviamos aos teus contactos'.

Se já aconteceu

Fui vítima de um deepfake. O que faço?

  1. 1Se pagou: ligue ao banco e tente travar a transferência.
  2. 2Se é chantagem: não pague, não responda, guarde tudo e faça queixa à PSP, GNR ou Polícia Judiciária.
  3. 3Se usaram a sua imagem ou voz: reporte nas plataformas e informe os seus contactos.
  4. 4Se foi na empresa: informe a administração e o banco de imediato; reveja os procedimentos de validação.
  5. 5Reporte ao CNCS.

Guia completo: fui vítima, o que faço agora? · Onde denunciar

FAQ

Perguntas frequentes

Deepfakes são ilegais?

Depende do uso. Usá-los para burla, chantagem, difamação ou conteúdo íntimo sem consentimento é crime. A criação em si, para sátira ou entretenimento identificado, pode não ser.

Existem ferramentas para detetar deepfakes?

Existem, mas não são fiáveis para o utilizador comum e ficam desatualizadas depressa. A verificação pelo contexto e por outro canal continua a ser a melhor defesa.

A minha empresa está em risco?

Sim, sobretudo quem faz transferências. Exija validação por segundo canal e segunda pessoa para pagamentos urgentes ou fora do habitual.

Fontes oficiais

Confirme sempre nas entidades competentes

As recomendações deste guia seguem as orientações públicas destas entidades. Para reportar ou pedir ajuda, use os canais oficiais.

Este guia foi escrito por João Sintra com base em campanhas reais reportadas no verificador e nas orientações públicas do CNCS, da ANACOM, do Banco de Portugal e da Polícia Judiciária. Encontrou um erro ou uma variante nova? Diga-nos. Veja a metodologia.

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