É LegítimoÉ Legítimo?Analisar

Guia prático

Palavras-passe seguras

A maior parte dos roubos de conta não acontece por adivinhação: acontece porque a mesma palavra-passe foi usada em vários sítios e um deles teve uma fuga de dados. Este guia explica como criar palavras-passe que resistem, como as guardar sem as decorar e o que fazer quando uma delas aparece numa fuga.

Por Atualizado em 3 min de leitura

A regra número um: uma palavra-passe por serviço

Quando um site é atacado, a lista de emails e palavras-passe roubada é testada automaticamente em centenas de outros serviços (credential stuffing). Se usa a mesma palavra-passe no email, no banco e numa loja pequena, a loja é o elo fraco que abre tudo. Uma palavra-passe diferente por serviço limita cada fuga a esse serviço.

Como criar uma palavra-passe forte que consegue lembrar

Comprimento importa mais do que símbolos. Uma frase de quatro ou cinco palavras sem relação entre si (por exemplo 'cavalo-lâmpada-verão-tijolo') é mais forte e mais fácil de lembrar do que 'P@ssw0rd1!'. Evite nomes, datas, nomes de animais, clubes e tudo o que esteja nas suas redes sociais. Evite padrões de teclado (qwerty, 123456) e substituições óbvias (a por @, o por 0). Mínimo recomendado: 12 caracteres; 16 ou mais para o email e o banco.

Use um gestor de palavras-passe

Um gestor (o do iPhone ou Android, o do navegador, ou apps como Bitwarden ou 1Password) cria e guarda palavras-passe únicas e longas para cada site, e preenche-as por si. Só precisa de decorar uma: a do gestor. Vantagem extra: o gestor só preenche no domínio certo, por isso não preenche numa página de phishing. Se o gestor não oferece a palavra-passe, olhe duas vezes para o endereço.

O que fazer quando há uma fuga de dados

Serviços como o Have I Been Pwned permitem ver se o seu email apareceu em fugas conhecidas; muitos gestores de palavras-passe e navegadores avisam automaticamente. Quando souber de uma fuga: mude a palavra-passe nesse serviço e em qualquer outro onde a tenha reutilizado, ative a 2FA e fique atento a emails de phishing que usem o seu nome e dados dessa fuga.

Erros comuns

  • Guardar palavras-passe num ficheiro de texto ou em notas sem proteção.
  • Variar só um número entre serviços (Verao2025, Verao2026).
  • Partilhar a palavra-passe do email com familiares 'para ajudar'.
  • Responder a perguntas de segurança com respostas verdadeiras e públicas (nome da mãe, primeira escola).
  • Ignorar avisos do navegador de que a palavra-passe apareceu numa fuga.

Exemplos reais

Frases que merecem cuidado

Variantes de mensagens reportadas por utilizadores. O texto muda; o pedido é sempre o mesmo.

Fraca: benfica1904, Maria2019, qwerty123, P@ssw0rd.

Forte: rio-guarda-chuva-oitenta-pedra, ou 20 caracteres aleatórios do gestor.

Sinal de phishing: o gestor não preenche a palavra-passe na página 'do banco'.

Se já aconteceu

A minha palavra-passe foi roubada. O que faço?

  1. 1Mude-a de imediato no serviço afetado, a partir do site oficial.
  2. 2Mude-a em todos os outros serviços onde a reutilizou, começando pelo email e pelo banco.
  3. 3Ative a autenticação de dois fatores.
  4. 4Termine as sessões ativas noutros dispositivos.
  5. 5Nas semanas seguintes, desconfie de emails que mencionem essa conta.

Guia completo: fui vítima, o que faço agora? · Onde denunciar

FAQ

Perguntas frequentes

É seguro guardar palavras-passe no navegador?

É muito melhor do que reutilizar. Os gestores do Chrome, Safari e Firefox são cifrados e avisam de fugas. Proteja o dispositivo com PIN ou biometria e a conta com 2FA.

Devo mudar as palavras-passe de x em x meses?

Já não se recomenda mudar por rotina. Mude quando houver suspeita de fuga ou de acesso indevido, e concentre-se em ter uma diferente por serviço com 2FA.

O que são passkeys e substituem as palavras-passe?

São credenciais ligadas ao dispositivo, desbloqueadas por biometria, que não podem ser roubadas por phishing. Muitos serviços já as oferecem. Use-as sempre que estiverem disponíveis.

Fontes oficiais

Confirme sempre nas entidades competentes

As recomendações deste guia seguem as orientações públicas destas entidades. Para reportar ou pedir ajuda, use os canais oficiais.

Este guia foi escrito por João Sintra com base em campanhas reais reportadas no verificador e nas orientações públicas do CNCS, da ANACOM, do Banco de Portugal e da Polícia Judiciária. Encontrou um erro ou uma variante nova? Diga-nos. Veja a metodologia.

Verificar agora

Tem uma mensagem para confirmar?

Analisar mensagem